Recursos Humanos: parceiro ou inimigo?

Vice-presidente de uma fabricante multinacional de peças de infraestrutura, o californiano Sumit Mehrotra nunca foi muito fã do departamento de Recursos Humanos das empresas em que trabalhou.

Para ele, eram burocratas que tentavam aplicar regras bobas que ditam quem pode ou não ser promovido.

Por isso, em novembro de 2013, quando Mehrotra recebeu a tarefa de criar uma nova equipe internacional para a companhia, imaginou que o RH ficaria limitado a recrutar e contratar os novos funcionários.

Mas quando a equipe estava formada, com pessoas trabalhando no Brasil, China, França, Alemanha, Grã-Bretanha e Estados Unidos, e surgiram dúvidas sobre como garantir a comunicação entre eles e entre o grupo e a diretoria, foi o departamento de RH que trouxe as soluções.

“Eram questões importantes que eu não tinha levado em consideração”, admite o executivo. “Passei a olhar o RH como pessoas objetivas e neutras que pensam em fatores humanos dos quais nós, gerentes, nem sempre nos lembramos.”

RH-copy

Imagem negativa

Muitos diretores e gerentes jovens têm uma percepção negativa do RH, mas especialistas em administração acreditam que aprender as funções e as habilidades desse departamento é essencial para se sobressair como chefe.

A expressão “recursos humanos” virou sinônimo da ideia de políticas corporativas desnecessárias que atrapalham o crescimento.

Elizabeth George demonstra essa opinião generalizada no curso de RH que ela ministra na Escola de Administração na Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong.

No início de cada semestre, ela pergunta aos alunos quantos deles têm uma visão favorável dos departamentos de Recursos Humanos. “Se uma só pessoa levanta a mão, já me considero feliz”, conta. “Tenho alunos vindos do mundo inteiro e todos têm um sentimento negativo em relação a esse setor.”

 

Relação de parceria

Para jovens gerentes, isso se traduz em excluir o RH sempre que possível. O que, na opinião de George, é um erro. “Os profissionais dessa área podem oferecerinsights que muitos chefes podem não ter.”

Um exemplo: gerentes que estejam trabalhando em um projeto que envolva vários departamentos podem aproveitar o RH pela experiência que o setor tem em lidar com todas as facetas da empresa.

“A chave é formar uma parceria com o RH”, afirma George. “Se você puder pedir ideias a eles, começará a ver seu valor, em vez de pensar que eles estão ali só para atrapalhar.”

Como diretor de RH da empresa de atendimento ao consumidor iQor, Mason Argiropoulos, sentiu a experiência na pele. Ele conviveu com gerentes que queriam o envolvimento de seu departamento e com outros que simplesmente o ignoravam.

Conforme a empresa foi crescendo, gerentes estrangeiros foram se juntando para supervisionar os diferentes call centers. O departamento de Recursos Humanos foi acionado para equilibrar as relações e uniformizar os processos.

Mais progressivo

Argiropoulos reconhece, no entanto, que a área de Recursos Humanos, como um todo, precisa de uma cara nova.

O setor era antes conhecido como departamento pessoal até isso ser associado a burocracia. O termo “RH” hoje tem a mesma conotação, por isso algumas empresas já pensam em criar um novo nome. O Google, por exemplo, chama sua área de recursos humanos de “Operação de Pessoal” e a define como “os promotores da cultura colorida do Google”.

A área também está sofrendo uma mudança no tipo de pessoa colocada nessa função. Hoje, em vez de contratar apenas gerentes de RH experientes, muitas empresas convidam profissionais de setores completamente diferentes.

“Isso ajuda a montar um departamento de RH mais completo, com amplas ligações com os objetivos da companhia”, afirma Argiropoulos. “Nos próximos anos, veremos as empresas adotando uma abordagem mais progressiva em relação ao RH.”

Até lá, os gerentes que se relacionarem com o RH como se o departamento fosse um obstáculo e não um parceiro ainda vão sofrer.

Os especialistas lembram que os diretores de RH têm poder na estrutura corporativa, e só quem entender isso vai ter mais chances de fazer avanços.

“Se, ao invés de tratar o departamento como inimigo, você fizer parcerias com ele ao longo de sua carreira, você vai mais longe”, afirma George.

FONTE: BBC Brasil

Anúncios

About Celso Jacob

Economista, professor e político, Celso Jacob. Sejam todos bem-vindos!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: