Vestibular de inverno é boa opção para estudantes no meio do ano

A Sala de Emprego desta segunda-feira (6) fala sobre vestibulares de inverno. No meio do ano tem muitas faculdades com inscrições abertas e é uma boa chance para o aluno treinar para as provas do fim do ano ou entrar direto na faculdade, já que a concorrência normalmente é menor. O quadro aborda também a dificuldade de escolher o curso. A escolha da profissão acontece muito cedo no Brasil. O aluno tem, geralmente, 17, 18 anos e nem sempre tem noção exata do que quer fazer.

A repórter Veruska Donato visitou uma turma com 30 jovens aprendizes, que uma vez por semana fazem treinamento no Instituto Saber. Ela pergunta aos jovens aprendizes se eles sabem o que querem fazer. “Administração, psicologia, investigação, gastronomia, veterinária… Penso em ser ator de teatro”, diz Caio Anacleto.  “A dúvida eu acho que ela é normal, porque eu acho que é uma coisa que você vai levar para a sua vida inteira”, opina Maike Evaristo.

Trocar de profissão ao longo da vida também é normal. “A própria Organização Internacional do Trabalho nos diz que esse jovem que entra hoje no mercado de trabalho vai mudar de carreira, de profissão, pelo menos, três vezes até sua aposentadoria”, afirma Marcos Bragança, diretor executivo do Instituto Saber.

Até quem está com o pé na faculdade tem lá suas inquietações. Kevin Hartkamp foi aprovado em nutrição, mas sonha com medicina na USP: “Vou prestar para medicina em algumas e para nutrição em outras, porque se eu passar eu faço a mudança”.

“O mais importante é que o aluno tenha a mente aberta que ao longo da graduação, ele vai se encontrando com outro caminho que ele deseja seguir e ser feliz no dia a dia, que é o mais importante”, orienta Marcelo Carvalho, coordenador de cursinho.

Modelo americano
Nos Estados Unidos, os jovens têm chance de conhecer melhor as áreas e só depois escolher o que vai fazer. O método americano de entrar na faculdade cria muitas facilidades para os jovens.

O college é uma opção para quem tem pouco dinheiro e muitas dúvidas sobre que curso fazer logo depois de terminar o ensino médio. O que ele faz é dar um tempo para o aluno se definir. Ele entra no curso e vai fazendo matérias de várias áreas. Ao fim de dois anos, ele se forma, recebe um certificado e aí sim, mais preparado, pode se inscrever para a universidade que quiser.

Aqui no Brasil já tem universidade adotando esse modelo. Tem algumas diferenças dos Estados Unidos, mas o objetivo é o mesmo: fazer com que o aluno escolha a profissão quando ele já está na faculdade.

Algumas faculdades oferecem cursos em uma determinada área e só depois de um tempo, o estudante escolhe sua especialidade. São os chamados cursos interdisciplinares. Vinte e oito instituições de ensino superior, federais e estaduais oferecem 52 opções pelo Brasil. Cada uma pode seguir um modelo, mas a maioria das instituições permite aos estudantes cursar matérias básicas para depois definir a habilitação.

É assim no curso de licenciatura de educação no campo da Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Os estudantes passam por um processo seletivo especial, que avalia a nota do Enem mais o currículo. A preferência é por quem tem uma ligação com o campo. Depois, por um ano e meio, todos os aprovados estudam juntos, cursam as mesmas disciplinas básicas e é só depois que cada um vai escolher em qual especialidade vai querer se formar. “Inicialmente são informações sobre as possibilidades do campo de trabalho, se formal ou informal, e também do conjunto de disciplinas que cada um dos núcleos específico vai ter”, explica o coordenador do curso.

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São duas opções, ciências da natureza e matemática, em que o estudante sai pronto para dar aulas de química, física, biologia e matemática, e ciências agrárias, que tem um perfil mais técnico em que o profissional vai ensinar aos alunos conceitos principalmente de agronomia.

O curso do Paraná é de licenciatura, forma professor para escolas rurais, mas também há opções para quem quer fazer bacharelado. Uma delas é a Unilab, uma universidade federal que recebe estudantes brasileiros e de outros países que falam língua portuguesa. Os estrangeiros são selecionados nos países de origem. Já os brasileiros entram pelo Sisu. Em uma das turmas, todos querem se formar na área de humanas, mas não podem escolher ainda a profissão, precisam, antes, fazer uma graduação de dois anos em humanidades.

A universidade tem 1300 alunos matriculados na graduação do curso de humanidades na Bahia e no Ceará. “Eles têm a chance de conhecer áreas diferentes, campos do conhecimento diferentes e mesmo as interações entre esses campos do conhecimento. Eles podem, então, ter mais material para poderem tomar suas decisões”, explica Maurílio Machado, coordenador do bacharelado em humanidades.

Quando terminam o curso de humanidades, os alunos já são graduados e recebem diploma, mas aí eles ainda podem se inscrever em um dos quatro cursos específicos oferecidos pela universidade: sociologia, antropologia, história ou pedagogia.

O estudante Jerson dos Santos entrou na universidade crente que queria ser sociólogo, mas depois de se aprofundar na área, acabou mudando de ideia e está fazendo antropologia: “Esses dois anos nos permitiram conhecer melhor essas áreas e escolher na terminalidade aquilo que a gente mais se identificava mesmo”.

FONTE: Jornal Hoje

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About Celso Jacob

Economista, professor e político, Celso Jacob. Sejam todos bem-vindos!

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