Curso técnico aumenta chances de conseguir vaga de emprego

O tema da Sala de Emprego desta segunda-feira (17) é a educação técnica no Brasil. Investir na formação de técnicos significa aumentar a produtividade, o que é essencial para o crescimento de qualquer país. No Brasil, o número de matrículas cresceu quase 70% de 2009 até 2014, segundo o Ministério da Educação, mas ainda é pouco.

Na semana passada aconteceu em São Paulo a World Skills, a maior competição de educação técnica do mundo. As competições iam desde montar uma turbina de helicóptero, fazer a funilaria de um carro até criar penteados fashion.

É inegável a importância do World Skills para o país, afinal é a primeira vez que a competição vem para a América Latina desde que foi criada, há mais de 60 anos. Mas o evento também deixa algumas questões, que a Sala de Emprego foi atrás das respostas.

A World Skills – ou habilidades mundiais em português – cutucou a ferida: o quanto o Brasil quer e precisa investir em educação técnica na formação de jovens e o quanto esses jovens estão preparados para essa educação.

As estudantes Vitória Sasha e Emília da Silva fazem o ensino médio na mesma escola. Vitória, que sonha em ser nutricionista, voltou para casa desanimada: “Eu não vejo que seria algo tão importante assim pra mim. Eu acho que o ensino superior seria o ideal na minha área, pelo menos”.

Já Emília, que faz o curso técnico em comunicação visual nas horas vagas, gostou do que viu: “Um técnico é bom, ajuda você, te abre portas pra fazer estágio e já entrar mais fundo no tema e no mercado de trabalho também”.

Estudo do Senai mostra que profissionais que têm o ensino técnico são menos demitidos e que 70% conseguem emprego logo que se formam. A pesquisa apontou as ocupações técnicas que criaram mais vagas do que fecharam de 2014 a 2015. As cinco principais foram técnico em monitoramento e suporte de computadores; desenvolvimento de sistemas; mecânicos de manutenção e instalação de ar condicionado; técnicos de alimentos e técnicos do vestuário.

CursosTecnicosSEDU

“Quando a Finlândia realizou a World Skills em 2005, 30% dos jovens faziam educação profissional junto com a educação regular. Hoje são 69% dos jovens. No Brasil, esse índice é ainda muito mais baixo, é menos de 10%. Nós temos que aumentar muito, porque a média dos países desenvolvidos é de 50%”, explica Rafael Lucchesi, diretor-geral do Senai.

Rodrigo Silva foi medalha de ouro na World Skills de 2011, em Londres, quando competiu em joalheria e hoje se prepara para trabalhar por conta própria: “Depois que recebi a medalha de ouro eu vi todos os acontecimentos, o quanto eu poderia ser exemplo para outros alunos. Isso para mim é fantástico”.

Foram quatro dias de competições, com 1.200 estudantes de mais de 60 países. O Brasil terminou em primeiro lugar.

Técnicos na Europa
Os países da Europa são os que mais valorizam a educação profissional. A média geral da União Europeia é que 49,9% dos jovens do ensino médio fazem educação profissional. Quanto mais desenvolvido o país, o percentual é maior. É o caso da Áustria, onde esse número chega a 76,8% ou da Alemanha, com 51,5%. Em Portugal, 38,8% dos jovens do ensino médio já fazem um curso profissionalizante.

Ao completar o ensino médio, os britânicos escolhem entre dois caminhos muito comuns. O mais tradicional é tentar entrar para a faculdade, estudar aquilo que ama para, depois, encarar o mercado de trabalho. A alternativa é se inscrever em um curso de aprendizagem para ganhar experiência profissional e já começar a receber um salário. Essa opção é estimulada pelo governo, que pretende criar 500 mil novas vagas por ano até 2020.

Todas as oportunidades estão online em um cadastro nacional. Os cursos duram de um a quatro anos e com escolhas nas mais diversas áreas. Marketing, gastronomia, mecânica e administração atraem cada vez mais gente.

Xenith não sabia o que estudar e, como sempre gostou de computação, decidiu passar um ano como aprendiz em informática. Para trabalhar 35 horas por semana recebeu o equivalente a R$ 6.800 por mês. Agora, ele decidiu entrar na faculdade de direito. “Vou aproveitar os conhecimentos que fiz aqui na minha futura carreira”, diz.

Maria tinha certeza que o ensino superior não era para ela. “Sou mais empreendedora do que acadêmica”, afirma. A jovem de 19 anos está prestes a concluir o aprendizado em um departamento de relações públicas e já recebeu uma oferta de emprego.

A mentora de Maria, Mikki, acredita que um certificado de aprendiz vai passar a competir de igual para igual com um diploma universitário: “Ter experiência pode ser mais útil que saber a teoria”.

FONTE: Jornal Hoje

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About Celso Jacob

Economista, professor e político, Celso Jacob. Sejam todos bem-vindos!

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