Mudanças no ensino médio: a ideia é torná-lo mais atraente para o jovem

Segundo o MEC, novas regras preveem que aluno poderá definir currículo a ser estudado durante um ano e meio

Na quinta-feira (22), o Ministério da Educação (MEC) anunciou mudanças no currículo obrigatório dos três anos do ensino médio. Na medida provisória assinada pelo governo, português e matemática passam a ser os dois únicos componentes obrigatórios do período, que hoje conta com 13 disciplinas são obrigatórias.

Segundo ministro da educação,Mendonça Filho, o objetivo da MP é flexibilizar o ensino médio, que, segundo ele, é bastante engessado, e torná-lo mais atraente para o jovem. No entanto, os componentes que serão ensinados obrigatoriamente nesta etapa serão definidos na Base Nacional Comum Curricular, documento que prevê mudanças em todas as fases da educação básica e que deverá ser definido até 2017, segundo o ministério.

Na MP consta que metade da carga horária total do ensino médio, equivalente a 1,2 mil horas, será preenchida com conteúdos obrigatórios definidoestudantess na Base Nacional Comum. O restante da formação dos alunos será complementada de acordo com a área de interesse do estudante, correspondente à carreira que deseja seguir no ensino superior. Ao todo, ele contará com cinco opções de trajetórias: linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas e formação técnica e profissional. As quatro primeiras são iguais às segmentações feitas pela prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Em pronunciamento, o secretário de Educação Básica do Ministério da Educação, Rossieli Soares, explicou que não haverá o fim de nenhum conteúdo ou disciplina. “Do que a Base Nacional definir, todas elas serão obrigatórias na parte da Base Nacional Comum: artes, educação física, português, matemática, física, química […]. A diferença é que quando você faz as ênfases, você pode colocar somente os alunos que tenham interesse em seguir naquela área. Vamos inclusive privilegiar professores e alunos com a opção do aprofundamento”, disse.

Disciplinas obrigatórias e não-obrigatórias

O secretário também comentou a polêmica que rodeava o fim da obrigatoriedade de disciplinas como artes e educação física no ensino médio. “Não está decretado o fim de nenhum conteúdo de nenhuma disciplina. Quando migrar para a Base Nacional Comum, lá estarão todos. A diferença é em quando você faz as ênfases […]. Não adianta continuar pensando que vamos ensinar tudo a todos, enquanto que as habilidades e as competências individuais de cada um de nós são diferentes”, conta.

No texto da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9.394/1996), está determinado o fim da obrigatoriedade do ensino de arte e de educação física no ensino médio. As disciplinas serão obrigatórias apenas no ensino infantil e fundamental. Outras disciplinas como filosofia e sociologia também deixarão de ser obrigatórias, mas estão garantidas na Base Nacional Comum e podem voltar a ter obrigatoriedade.

O inglês será o idioma obrigatório ensinado durante o ensino médio, com a possibilidade de as escolas lecionarem outras línguas estrangeiras de forma optativa. O novo cenário passará a valer 180 dias após a publicação da Base Nacional Comum, ou seja, não modificam o currículo atual.

Mais autonomia e flexibilidade

Com as mudanças propostas na MP, os estados passarão a contar com mais autonomia nas decisões referentes ao ensino médio. Além do ensino de idiomas, que poderá contar com uma língua estrangeira a mais, em caráter optativo, os sistemas de ensino poderão definir, por exemplo, um sistema de crédito, que permite ao aluno que interromper os estudos retomar o curso de onde parou, sem precisar cursar um ano inteiro novamente.

Além disso, o sistema de créditos poderá se estender até o ensino superior, após normatização do Conselho Nacional de Educação (CNE) e homologação pelo MEC. Neste cenário, o aluno que começar uma graduação ou curso técnico terá sua trajetória escolar avaliada para decidir se será necessário cursar disciplinas com conhecimentos e competências que já possui.

Aumento da carga horária

Com a reforma, a carga horária total do ensino médio passará a ser de 1,4 mil horas, tornando o ensino integral, com duração de 7 horas diárias. A expectativa do MEC é que essa mudança tenha início em 2018, após aprovação da MP no Congresso Nacional e conclusão da Base Nacional Comum. Não foi definido um prazo para que as redes de ensino comecem a aderir às mudanças, mas o cronograma do Plano Nacional de Educação (PNE) sugere a implementação do novo ensino médio até o ano de 2024.

Ensino técnico

Após cumprir o currículo obrigatório previsto na Base, os estudantes poderão optar por seguir sua trajetória na formação técnica. A mudança acontecerá dentro do período regular de aulas, sem a necessidade de cursar a modalidade integral. Além disso, as aulas poderão ser comandadas por profissionais sem formação acadêmica específica na área que lecionam. Segundo o secretário Rossieli Soares, isso não valerá para os demais conteúdos, somente para o ensino técnico.

Fonte: Universia

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About Celso Jacob

Economista, professor e político, Celso Jacob. Sejam todos bem-vindos!

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