Empreendedores universitários afirmam que o Brasil é promissor para novas startups

O Spin 2016 é o maior evento de empreendedorismo universitário da ibero-américa. O programa conta com competições para empreendedores universitários, oferecendo mentoria e experiências únicas a esses jovens. Os 100 melhores projetos receberam mentoria de professores da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, e os 30 finalistas receberam uma viagem para Santiago da Compostela, na Espanha, para palestras sobre empreendedorismo e mentoria pessoal.

No evento desse ano foram selecionados os melhores projetos de startup de países como Espanha, Brasil, Argentina e México. E os brasileiros marcaram presença entre os finalistas do evento. A Universia Brasil conversou com empreendedores de dois dos projetos brasileiros escolhidos, o eFit Fashion e o Kaihatsu.

kknknknjnOs empreendedores compartilharam as suas experiências dentro e fora da competição, assim como as suas opiniões sobre o empreendedorismo no Brasil e no mundo. Ambos concordam: quando o assunto é empreendedorismo, o Brasil não deixa nada a desejar. O mercado está só esperando novos projetos.

Bruno Fini, da Kaihatsu, está contando com esse mercado receptivo. Bruno é estudante de engenharia química na Unicamp, e iniciou sua startup com 4 colegas de curso há menos de um ano. A proposta é reutilizar dejetos de tratamento de água e transformá-los em adubo, transformando um processo custoso numa oportunidade de desenvolvimento. A equipe inclusive escolheu nomear a startup a partir desse ideal: Kaihatsu que significa desenvolvimento em japonês. “Nossa equipe é majoritariamente formada por engenheiros químicos e, portanto, visamos sempre o reaproveitamento de material evitando o desperdício e gerando receita para as indústrias”, diz o empreendedor.

O eFit Fashion já é um projeto mais antigo. Idealizada por estudantes de diversos cursos da Universidade de São Paulo (USP), a startup tem o objetivo de produzir roupas que sirvam nas pessoas, e não que obriguem os compradores a se encaixar nas roupas. Juliana Pirani era estudante de moda quando começou o eFit Fashion com a sua equipe. Ela conta que a ideia veio da proximidade com o problema, seguidas de extensas pesquisas. “Depois de pesquisar, descobrimos que 85% das mulheres tem roupa no guarda-roupa que não servem. A gente falou ‘Caramba, é um mercado gigantesco! ’”.

O segredo de um bom empreendimento

Para um empreendimento dar certo, é necessário que exista tanto a “dor do mercado” , ou seja, a necessidade de um produto ou serviço, quanto que os empreendedores sejam motivados pelo projeto. “Se o mercado não enxerga nenhuma necessidade nesse projeto, ele acaba sendo engavetado muito rápido. Ao mesmo tempo, se é uma coisa que você não tem paixão por fazer, ele vai acabar sendo um fardo para você desenvolver”, explica Juliana.

Para Bruno, que está só começando sua jornada como empreendedor, esses primeiros passos são apoiados na vontade de querer causar um impacto e enxergar o horizonte de possibilidades que esse negócio pode tomar. Sem essa vontade é muito difícil lidar com as incertezas do empreendedorismo. Ele conta que, por estar numa equipe composta inteiramente por universitários, essa motivação é ainda mais bem-vinda. “Nem iniciamos nossa carreira profissional ainda e já temos que tomar uma decisão muito impactante no futuro de cada um”.

O caminho para descobrir quais são as necessidades de um mercado é um só: pesquisas e perguntas para empreendedores e possíveis clientes. Bruno afirma que “Um novo projeto não surge do nada, é necessário analisar fatos, realizar brainstormings, conversar com pessoas, estar antenado no que está acontecendo”. Portanto, não basta ter uma boa ideia, é necessário ter também um bom mercado. Mas Juliana observa que não é possível manter um projeto só pela segurança financeira. É preciso ter os dois: a paixão e a procura.

O segredo para ser um bom empreendedor

Resiliência. Foco. Força de vontade. Todas são qualidades destacadas como essenciais para qualquer um que queira ser empreendedor. Mas nem todo mundo nasce com essas características. Por isso, os empreendedores destacam a importância de se ter um mentor. Juliana conta que a sua experiência no Spin2016, assim como com os mentores da faculdade, a ajudou a entender melhor a importância dessas habilidades. “Com os mentores eu aprendi coisas de todo tipo. Desde a resiliência até ser constante, ir atrás da informação, procurar mais, saber mais e me dedicar mais. São pessoas da área que você escuta porque sabe que eles já passaram exatamente por isso, ela sabe o que está me dizendo”.

A resiliência é importante para enfrentar todos os nãos que o empreendedor leva. Desde questões com financiamento até críticas ao projeto, é vital que esses obstáculos não derrotem o indivíduo. O foco entra na mesma linha. Principalmente quando se está começando, e as possibilidades parecem infinitas, saber o que se quer e ter a força de vontade para sair da sua zona de conforto e ir atrás, é vital. E isso inclui estar disposto a colocar o seu projeto a teste, e a muda-lo se necessário.

Empreendedorismo no Brasil – Será que é negócio?

Ambas as startups tiveram experiências com o mercado de outros países, e ambos destacam que o Brasil é um país cheio de oportunidades de crescimento e inovação. “A diferença entre o empreendedorismo no Brasil e no exterior existe, mas as vezes a gente tem essa mania de olhar para fora com brilho nos olhos”, observa Juliana. A empreendedora conta que no Spin2016 teve a oportunidade de ver projetos dos mais variados países, e que as ideias brasileiras não deixavam nada a desejar: “tem suas diferenças de mercado e de desenvolvimento, mas o empreendedorismo em si, a vontade de fazer, a gente tem aqui tanto quanto se não mais quanto fora do Brasil.”

Existe uma grande preocupação com desenvolvimento e o atual panorama econômico do país, e é claro que o empreendedorismo não está livre desse mal. A crise impacta chances de financiamento e pode ter um efeito negativo numa startup. Mas ainda existem muitos diferenciais no Brasil que merecem destaque. Bruno afirma que “ele possui um dos maiores mercados consumidores do mundo, a ascensão a classe C é cada vez maior, o crescimento industrial é intenso, principalmente em novos setores”. Juliana destaca que o Brasil é muito grande, e que esse acesso a um mercado gigante proporcionado a empreendedores é uma vantagem que nativos de países menores não têm.

Fonte: Universia

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About Celso Jacob

Economista, professor e político, Celso Jacob. Sejam todos bem-vindos!

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